Arquivo mensal: abril 2011

Jogando por Música – 04/04/11

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Brasileiros fazem documentário sobre a vida de Jimi Hendrix

O ícone do rock Jimi Hendrix virou documentário nacional. Dirigido por Pedro Paulo Carneiro e Roberto Lamounier, o filme E aí Hendrix? vai estrear no festival In-Edit, que será realizado no fim de abril em São Paulo e no começo de maio no Rio de Janeiro. O filme conta a história da carreira do guitarrista americano que mudou a cara da música internacional. O longa terá depoimentos de Frejat, Davi Moraes, Pitty, do roadie Mouse O’Brian e do seu primeiro produtor, John McCoy.

Assista ao trailer do filme logo abaixo:

 

 

Ouça na íntegra Wasting Light, o novo disco do Foo Fighters

O Foo Fighters liberou, via streaming, a audição completa do seu novo álbum de estúdio, Wasting Light, que chega às lojas americanas na dia 16 de abril. O sétimo disco do grupo traz 11 faixas, incluindo o single “Rope”.

Clique aqui para ouvir Wasting Light, o novo disco do Foo Fighters.

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Jogando por Música – 01/04/2011

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"O corpo e a alma me pedem uma música mais íntima", afirma Gilberto Gil

GilbertoGil

"O corpo e a alma me pedem para fazer uma música mais íntima", declarou à AFP o cantor e compositor Gilberto Gil, que fará no sábado um show acústico, "pessoal e introspectivo", em um grande teatro de Paris.

Gil, ex-ministro da Cultura e que completará 69 anos em junho, se apresentará ao lado do violoncelista Jacques Morelenbaum e do filho Bem Gil no Teatro Chatelet, um dos templos da música parisiense.

O artista baiano, que tem mais de 40 anos de carreira, confessou em entrevista à AFP que a nova orientação em sua música tem relação com a "passagem do tempo, que deixa marcas".

"A apresentação será uma viagem em uma música mais íntima, mais terna e introspectiva. E isso tem a ver com a passagem do tempo", reconheceu Gil.
"O tempo deixa marcas estas se refletem em minha música", completou o cantor, que foi ministro da Cultura do governo de Luiz Inácio Lula da Silva de janeiro de 2003 a julho de 2008, quando renunciou para voltar à música.
O artista, um dos idealizadores da tropicália nos anos 60, quando também combatia a ditadura militar, afirma que agora deseja fazer uma música mais afastada de conceitos, de ideologias, "uma música mais pessoal, que deixe mais espaço para a ternura".
"Eu já fiz tudo isso de estimular a música brasileira. Antes havia uma ideologia, que era ajudar a divulgar a nossa música no mundo. A tropicália foi isso. Agora quero voltar a coisas mais puras, livres, sem compromissos", explicou.

"O corpo e a alma me pedem uma música mais íntima, mais interior", admitiu o artista, que foi submetido a uma cirurgia nas cordas vocais em outubro de 2007.
Gil, uma estrela desde a década de 60 e com 56 álbuns na carreira, afirma que agora se dá permissão para sentir-se "livre, desapegado de qualquer conceito central", para retornar à música do nordeste brasileiro, a música de sua infância.
"A apresentação também será uma visita às origens de minha música nordestina. Gosto de revisitar a música inicial de minha vida, que está infiltrada em meu coração".
"É um tema de amor profundo", disse Gil, antes de destacar que as canções do show em Paris – que integra uma turnê pela Europa, depois da realizada pela América do Norte em novembro – "se adaptam bem ao violão e ao violoncelo".

"O ambiente acústico ajuda a conservar a qualidade vocal e permite também mostrar a qualidade de minha execução, minha forma de tocar o violão", declarou Gil, que deve passar por músicas de várias épocas da carreira.
"Cantarei sobre amor, política e temas que revelam uma introspecção", antecipou.
"São canções que utilizam a forte qualidade rítmica da música brasileira, mas também baladas, canções ternas, muito pessoais.

Com humildade, Gil afirma não reclamar um lugar especial na história da música popular brasileira, mas se considera herdeiro de grandes músicos artistas, como Luiz Gonzaga, Dorival Caymmi e João Gilberto.
"Não tenho ambição de virar uma referência", afirmou Gil, que venceu o Grammy Latino em duas categorias ano passado: "Banda Dois" foi considerado o Melhor Álbum de Música Popular Brasileira e "Fé na festa" o Melhor Álbum inspirado em música brasileira.

"Eu faço apenas o que faço. Meu impulso criativo nasceu de minha admiração por eles, por Dorival, Luiz Gonzaga, João Gilberto, Jorge Bem. Eu sou herdeiro deles, e não preciso de um lugar especial. Quero somente ser parte da herança, parte deles", concluiu Gil.

Filha de Martinho da Vila, Maíra Freitas une música clássica e samba em primeiro disco

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Aos 25 anos, a pianista Maíra Freitas Ferreira, filha do compositor e sambista Martinho José Ferreira, mais conhecido como Martinho da Vila, e irmã de Mart’nália, faz jus ao sangue da família e lança o seu primeiro disco solo, "Maíra Freitas", pela gravadora Biscoito Fino.

Pianista clássica, a agora sambista Maíra Freitas se revela uma das promessas no cenário da música brasileira. A carioca formada em piano clássico na Escola de Música na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) quer mostrar que a música erudita também combina com samba.

A filha de Martinho estreou como cantora e pianista numa participação do disco do pai "Poetas da Cidade", além de ser figura presente em shows da irmã. Seu primeiro CD solo traz um repertório que combina nomes como Nei Lopes ("April Child – Maracatu Nação do Amor"), Paulinho da Viola ("Só o Tempo"), Gonzaguinha ("Recado"), Chico Buarque ("Membembe") e o próprio Martinho, que agora participa como convidado especial na faixa "Disritmia".

Em conversa com o UOL na noite de lançamento para convidados, nesta quarta-feira (30), na gravadora Biscoito Fino, no Rio de Janeiro, Maíra contou que o apoio da família foi fundamental para concretizar o sonho de gravar um disco e que Mart’nália foi uma grande irmã ao ajudar na elaboração do projeto como produtora e diretora musical.

“Eu sempre quis gravar um disco. Quando recebi o convite foi uma surpresa, mas resolvi encarar. Já que me convidaram, era uma oportunidade única. Ela (Mart’nália) é minha irmã mais velha que sempre cuidou de mim e esteve presente em todos os momentos importantes da minha vida, agora ela foi essencial”, disse Maíra.

Como toda estreia, a expectativa era grande deu um “friozinho na barriga”, admitiu a cantora. “Será que as pessoas vão vir? Será que vão gostar do disco? A gente faz um disco com todo o amor, é o nosso filho. E fazer sozinha é muita responsabilidade”, assumiu Maíra.

No CD com 13 faixas, Maíra fez o arranjo de quase todas as músicas, além de tocar piano e cantar. “Como eu tive formação clássica, me deu conhecimento para transitar por várias coisas. Eu sei fazer arranjo, tenho noção de harmonia e afinação. Acabo querendo fazer tudo”, brincou.

Na apresentação do disco, Martinho não poupou elogios à filha e disse que o seu primeiro CD como cantora-pianista deveria chamar-se "Simplesmente Maíra". O repertório conta com um toque de brasilidade e de feminino, além de transitar livremente entre o choro, o samba e a música erudita.

“O CD sou eu, é o meu jeito. Uma pessoa que não me conhece, ouvindo o CD passa a saber melhor quem eu sou.Gosto de música boa, gosto de cantar e de tocar. Sou todos esses lados, o choro, a música instrumental, o samba, a música clássica, um pouco de tudo”, resume Maíra.

O disco traz ainda três composições cantora, uma instrumental e outras duas com letras, ’Corselet’ e ’Alô?’.

“Corselet é uma coisa de toda mulher, quem nunca comprou uma roupa que não cabe e quer emagrecer para entrar na roupa? É um conflito meu eterno”, contou. Já para elaborar a letra de "Alô?", Maíra teve a ideia de ligar para seus amigos e amigas para saber de histórias que viveram em suas relações amorosas e qual era a sensação de esperar a pessoa ligar.

“É outra coisa que todo mundo já passou e é muito de mulher.’Será que ele vai ligar amanhã… ’. Eu fui ligando para todos os meus amigos para saber que desculpa eles costumavam dar, uns dizem que a avó morreu ou que o carro quebrou. Eu fui juntando todas essas desculpas que são as de todo mundo e compus essa música no ano passado”.

Primeiro piano ganhou numa aposta de futebol

Maíra começou a tocar piano com sete anos. “A música sempre fez parte da minha vida. Sempre tive contato com músicos na minha casa e em muitos shows”.

Maíra ganhou o primeiro piano quando tinha 12 anos de idade, em  uma aposta com o pai. Foi num jogo do Flamengo contra o Vasco. Ela Flamengo, ele Vasco. Maíra queria um piano e, em troca, prometeu uma caixa de cerveja. Naquele dia o Flamengo ganhou e Maíra fez questão de acompanhar o pai para comprar o piano.

Como concertista, Freitas já tocou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e em salas como Cecília Meireles, Centro Cultural Banco do Brasil, Sala Baden Powell, Conservatório Brasileiro de Música e Centro Cultural Justiça Federal. Além de ter participado de festivais de música em países como Bulgária, Bélgica, Canadá, Chile, Noruega, Alemanha, Argentina, Paraguai e Estados Unidos.

“Dei muita aula de coral, musicalização, iniciação infantil, teoria musical e piano. Durante dois anos trabalhei com crianças no Centro Cultural Cartola, na favela da Mangueira. Eu tive formação clássica de muito estudo, teoria, mas ao mesmo tempo eu ia para o samba”.

A transição da música erudita para a popular foi gradual, a partir de experimentações e misturas, admite. “Para mim não tem diferença, é tudo música, assim como tem o funk, tem o jazz. Eu acho que pode juntar tudo, com tanto que seja música boa eu toco”, brincou.